segunda-feira, 23 de maio de 2011

Diocese de Barra do Piraí/Volta Redonda elabora Diretório Sacramental

Conselheiros da diocese de Barra do Piraí/Volta Redonda (RJ) discutiram e analisaram, nos dias 20 a 22, a elaboração do Diretório Sacramental Diocesano, iniciativa que teve sua primeira etapa em novembro do ano passado.

De acordo com o coordenador diocesano de pastoral, padre Leandro Nunes, o diretório vai nortear o futuro da diocese no tocante aos sete sacramentos na expectativa de cumprir as determinações das novas diretrizes diocesanas. “Demos um passo importante neste conselho para iluminar nossa caminhada; os trabalhos em grupos enriqueceram o documento para a síntese final”, disse padre Leandro.

O bispo diocesano, dom João Maria Messi, participou do conselho e agradeceu o empenho dos conselheiros das quatro regiões pastorais da diocese. “Esse diretório vai nos favorecer a trabalhar a unidade e a comunhão eclesial, porque os desafios da evangelização na atualidade devem ser encarados, mas com organização. Obrigado aos que nos ajudaram a concluir esta etapa”, congratulou dom João.

A produção do Diretório Sacramental vai passar por etapas nas regiões pastorais com encontros com o clero e lideranças das pastorais. As conclusões que passarão pela sistematização serão desenvolvidas de julho a outubro. Em novembro, no último Conselho Diocesano do ano, provavelmente serão aprovadas.

Pastoral Carcerária
A Pastoral Carcerária Diocesana aproveitou o momento para informar a situação dramática em que os presos da Casa de Custódia de Volta Redonda vem passando, devido a superlotação com mais de 400 pessoas. Foi decidido e aprovado pelo conselho enviar uma Carta ao governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, exigindo providências.

Regiobnais da CNBb elegeram novas presidências para o quadriênio 2011 - 2015

Durante a 49ª Assembleia Geral da CNBB, realizada de 4 a 13 de maio, em Aparecida (SP), a maioria dos Regionais se reuniu para eleger sua nova diretoria. Apenas os Regionais Leste 2 (Minas Gerais e Espírito Santo) e Sul 1 (São Paulo) elegerão suas Presidências no início de junho.

Os Regionais deverão escolher também seus representantes para o Conselho Permanente da CNBB, mandato de 2011-2015. A primeira reunião do novo Conselho será em junho, nos dias 15 a 17.

De acordo com o parágrafo único do Artigo 66 do Estatuto Canônico da CNBB, os Regionais com até 15 dioceses têm um acento no Conselho. Já os Regionais com mais de 15 dioceses até 30, têm direito a dois representantes e com mais de 30 dioceses são representados por três bispos.

Segundo este critério, os Regionais Sul 1 (São Paulo) e Leste 2 (Minas Gerais e Espírito Santo) são os únicos com três bispos no Conselho Permanente. Com dois representantes estão os Regionais Nordeste 2 (Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte); Nordeste 3 (Bahia e Sergipe), Sul 2 (Paraná), Sul 3 (Rio Grande do Sul) e Centro Oeste (Distrito Federal, Goiás e Tocantins). Cada um dos outros 11 Regionais tem um bispo no Conselho.

Abaixo, confira a lista completa dos eleitos para as Presidências dos Regionais.
Norte 1
Presidente: Dom Roque Paloschi
Vice-presidente: Dom Mário Antonio da Silva
Secretário: Dom Edson Damian
Norte 2
Presidente: Dom Jesus Maria Cizaurre
Vice-presidente: Dom Bernardo J. Bahlmann
Secretário: Dom Flávio Giovenale
Noroeste
Presidente: Dom Mosé João Pontelo
Vice-presidente: Dom Joaquim Pertiñez
Secretário: Dom Meinrad Francisco Merkel
Centro Oeste
Presidente: Dom José Luiz Majella Delgado
Vice-presidente: Dom Rodolfo Luís Weber
Secretário: Dom Carmelo Scampa
Oeste 1
Presidente: Dom Antônio Megliore
Vice-presidente: Dom Redovino Rizzardo
Secretário: Dom Segismundo Martinez
Oeste 2
Presidente: Dom Vital Chitolina
Vice-presidente: Gentil Delazari
Secretário: Dom Neri José José Tondello
Nordeste1
Presidente: Dom José Haring
Vice-presidente: Dom João José da Costa
Secretário: Dom Antônio Roberto Cavuto
Nordeste 2
Presidente: Dom Genival Saraiva
Vice-presidente: Dom Manoel Delson P. da Cruz
Secretário: Dom Francisco de Assis de Lucena
Nordeste 3
Presidente: Dom Luís Gonzaga Silva Pepeu
Vice-presidente: Dom José Geraldo Cruz
Secretário: Dom Gregório Paixão
Nordeste 4
Presidente: Dom Alfredo Shaffler
Vice-Presidente: Dom Juarez Sousa
Secretário: Dom Plínio José
Nordeste 5
Presidente: Dom Gilberto Pastana de Oliveira
Vice-presidente: Dom Sebastião Bandeira
Secretário: Dom Armando Martin Gutierrez
Leste 1
Presdiente: Dom Orani João Tempesta
Vice-presidente: Dom Luciano Bergamin
Secretário: Dom José Francisco Rezende Dias
Sul 2
Presidente: João Bosco de Souza
Vice-presidente: Dom Mauro Aparecido dos Santos
Secretário: Dom Rafael Biernaski
Sul 3
Presidente: Dom Zeno Hastenteufel
Vice-presidente: Dom Canísio Klaus
Secretário: Dom Remídio Bohn
Sul 4
Presidente: Dom Wilson Tadeu Jönck
Vice-presidente: Dom Mário Marquez
Secretário: Dom Augustinho Petry

domingo, 22 de maio de 2011

IRMÃ DULCE BEATIFICADA

A imagem da religiosa baiana Irmã Dulce (1914-1992) foi revelada pela primeira vez como beata às 18h deste domingo, na missa de beatificação realizada no Parque de Exposições de Salvador.

A "bem-aventurada Dulce dos Pobres" foi recebida por dezenas de milhares de fiéis, que acenaram para a imagem com lenços brancos com a imagem da nova beata.
 
O rito de beatificação durou exatos 20 minutos. Primeiramente, foi feito o pedido oficial de beatificação pelo Arcebispo de Salvador, Dom Murilo Krieger. Um dos religiosos presentes leu então a biografia de Irmã Dulce, nascida Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, em 26 de maio de 1914.
 
Cerca de 15 minutos depois, o cardeal Dom Geraldo Majella Agnelo, representante do papa Bento 16 e presidente da cerimônia, leu, em latim e em português, a carta apostólica assinada pelo pontífice, oficializando a beatificação da religiosa.
 
O momento final do rito de beatificação ocorreu às 18h, com o descerramento da imagem de Irmã Dulce pela primeira vez como "bem-aventurada Dulce dos pobres".
 
O papa Bento 16 fixou a data de 13 de agosto como o dia de celebração da beata.
        MISSA  - A celebração teve início às 17h com a presença de dezenas de milhares de fiéis. A presidente Dilma Rousseff acompanha a cerimônia, junto com os governadores da Bahia Jaques Wagner e de Sâo Paulo, Geraldo Alckmin, além do ex-governador paulista, José Serra, o presidente do Senado, José Sarney, prefeitos da Bahia e autoridades religiosas.
 
Após o rito de beatificação, a sergipana Cláudia Cristiane dos Santos Araújo, agraciada com um milagre atribuído pela Igreja Católica à religiosa, subiu ao altar, onde também foram exibidos objetos pertencentes à nova beata, agora considerados relíquias.
 Fiéis durante a missa de beatificação de Irmã Dulce, no Parque de Exposições de Salvador, Bahia



Baianas com seus trajes tradicionais segurando lenço com a imagem de Irmã Dulce durante a missa de sua beatificação, no Parque de Exposições de Salvador, na Bahia

      Crianças vestidas como freiras na apresentação teatral dos alunos do Centro Educacional Santo Antônio, contando a vida e obra da Irmã Dulce

3° PEREGRINAÇÃO NACIONAL DA FAMILIA

Caríssimos Senhores Arcebispos e Bispos, Sacerdotes , Diáconos, Religiosos(as) e Seminaristas.
Caríssimos Agentes de Pastorais, Movimentos, Serviços, Institutos Familiares, Escolas e Famílias do Estado do Rio Janeiro.

3ª PEREGRINAÇÃO NACIONAL DA FAMÍLIA
A Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família - CNBB e a Comissão Nacional da Pastoral Familiar – CNPF convidam os senhores Arcebispos , Bispos, Sacerdotes, Diáconos, Religioso(as), Seminaristas, Agentes de Pastorais, Movimentos , Serviços, Institutos Familiares, Escolas e Famílias do Estado do Rio Janeiro para participarem da 3ª. Peregrinação Nacional da Família, a ser celebrada no dia 29 de maio de 2011, no Santuário Nacional de Aparecida-SP.

CARÍSSIMOS COORDENADORES DE CARAVANAS
Solicitamos aos que desejarem ter o nome da sua Caravana anunciado na Celebração Eucarística ( 29/ 05) às 10h ( Oficial ) que nos mandem ( via Email ) o mais rápido possível o nome para o envio à Coordenação da 3ª Peregrinação Nacional da Família /SP pela ordem: Paróquia e ( Arqui) Diocese.
Com conhecimento:
Dom Rafael Llano Cifuentes - Bispo Referencial Pastoral Familiar – Leste 1
Padre Ademar Ermilindo Pimenta - Assessor Eclesiástico Regional Pastoral Familiar – Leste 1
Sagrada Família de Nazaré, salvai nossas famílias!
Aloisio e Ilza Bohrer - Casal Coord. Regional da Pastoral Familiar Leste 1
(21) 4126-3491/ (21) 8272-1259 /aloisio.ilza@gmail.com




BANDA ISRAEL PREPARA SEU NOVO

O grupo católico, que atua há 16 anos, está em estúdio gravando seu terceiro trabalho individual. Em 2007, a banda lançou o disco Canção do Amor de Deus, em 2009 o DVD e CD ao vivo Te dou adoração e agora em 2011 está em estúdio fazendo seu terceiro trabalho intitulado Homem do Interior. Pela primeira vez, o grupo gravará um disco seguindo uma linha diferente dos trabalhos anteriores. Desta vez o álbum se regerá em uma linha focada no mesmo sentindo da mensagem do início ao fim das canções.  Este trabalho é uma  parceria da STAM cadeados e fechaduras que apoiou a proposta do trabalho.
*
      O DISCO - HOMEM DO INTERIOR será a música carro-chefe do CD. A canção homenageia o público que não deixa a raiz católica morrer. As procissões, a reza do terço, as novenas e promessas ainda muito presentes na simplicidade do povo brasileiro. A idéia de produzir esta música foi depois de uma pesquisa que Bruno Pirozi, vocalista da banda, fez em relação ao povo nordestino que mesmo passando por tantas dificuldades não perde o sorriso, a esperança e a fé.

A música é uma mistura de baião, repente e rock. Explora a sanfona de Fernando Azevedo mesclado com as guitarras de Luan Schuecnk e o vilão de Saulo Almeida. juntamente com o som do violino que dá um caráter rústico ao rítmo. Músicas como Poeira Cósmica, de Francisca Pirozi e Amanhecer, de Dalmo Latini, ambas vencedoras do Festival de Música do Sesc, 2001  e 2002, reforçam a mensagem de atenção ao brasileiro, trabalhador e que por vezes é esquecido pela sociedade.

Algumas participações já estão confirmadas no disco. Fernando Azevedo, que ficou conhecido pelo grupo de Forró “Cabeça de Égua” , Marcello Ferreira, com a gaita, Hermes Poletti, da banda Arkanjus e Milena Correa no baking local. Outras ainda estão à confirmar. Um clipe está programado para ser produzido ainda este ano. Não tem data prevista. Algumas cenas serão gravadas em Caruarú, Pernambuco, onde acontece a maior procissão de São João do Mundo.A idéia é mesclar imagens de estúdio com outras do povo nordestino.

     OUSADIA -  A  banda Israel sempre ficou conhecida por sua ousadia e inovação. Na região foi o primeiro grupo que lançou um grupo de dança. A primeira banda católica que gravou um DVD e um CD Ao vivo. Promoveu o maior evento de juventude em 2007 com a presença da banda pop Rosa de Saron. O grupo insere em seu repertório músicas populares de poesia e letras de mensagens positivas.

          SHOWS - Vários shows já estão confirmados. Entre eles as clássicas festas de
padroeiro da cidade. Sumidouro e Cordeiro também estão confirmados e em setembro a banda volta pela terceira vez no Estado de Minas Gerais. Para 2012 a banda tem proposta para tocar em Portugal. E quem não souber dançar,  também pode dançar, basta fechar os olhos e agradecer. Outras ionformações : Israel Comunicações 9832.1327, 9278.6688

Brasil celebra beatificação de irmã Dulce neste domingo em Salvador

O Parque de Exposições da Bahia, em Salvador, abre seus portões para sediar um dos maiores atos de fé já assistidos pelos católicos baianos: a cerimônia de beatificação de irmã Dulce, que se notabilizou como o Anjo Bom da Bahia. O ato solene colocará a freira, falecida há 19 anos, a um passo da santificação.
 
Organizadores do evento esperam cerca de 70 mil pessoas de toda a Bahia, do Brasil e até do exterior. Afinal, são 11 anos de espera para chamar irmã Dulce de "Bem-aventurada Dulce dos Pobres". A beata terá o dia 13 de agosto como data oficial de celebração de sua festa litúrgica.

Entre os fiéis estará a dona de casa Terezinha Santos Varjão, 65, que se define como católica praticante. “Admiro muito a obra de irmã Dulce. Ela foi santa em vida. Não falto a essa cerimônia de jeito nenhum. Quero chegar cedo para ficar bem na frente e assistir a tudo”, diz ela, uma das primeiras a pegar o ingresso na paróquia do bairro da Pituba.
 
A agenda festiva começará às 14h, com a exibição do espetáculo "Nasce uma Flor", que contará passagens memoráveis da vida da religiosa. O espetáculo reunirá cerca de 500 alunos do Centro Educacional Santo Antônio (CESA) - que integra as Obras Sociais Irmã Dulce -, com idades entre 6 e 15 anos, em cenas marcantes, como a do galinheiro onde ela acolhia doentes e que deu origem ao Hospital Santo Antônio.

 
Às 17h, acontecerá a celebração canônica com uma missa seguida do roteiro litúrgico do Rito de Beatificação do Vaticano. A cerimônia contará com cerca de 500 religiosos – entre padres, arcebispos, bispos, diáconos e seminaristas. Logo depois, o arcebispo de Salvador, dom Murilo Krieger, solicitará ao papa que inscreva, na lista dos santos e beatos da Igreja Católica, o nome da freira baiana.
 
O cardeal dom Geraldo Majella pedirá, em nome do papa, que seja lida a biografia da beatificada, concluindo com o decreto apostólico de Bento 16 incluiu irmã Dulce na lista dos santos e beatos da Igreja Católica, propondo-a como exemplo cristão para todos os fiéis.

Os presentes assistirão ainda ao descerramento de uma imagem da nova beata, enquanto uma procissão solene apresentará uma relíquia da religiosa. À frente estará Cláudia Cristiane Santos Araújo, a funcionária pública sergipana cuja cura de uma hemorragia foi reconhecida pelo Vaticano como milagre atribuído a irmã Dulce. Em sinal de gratidão, ela depositará flores aos pés da imagem. Com a proclamação da freira como bem-aventurada, será encerrada a cerimônia.

Beatificação
O processo de canonização de irmã Dulce começou em janeiro de 2000. A validação jurídica do milagre -supostamente ocorrido em 2001- foi emitida pela Santa Sé em junho de 2003. Em abril de 2009, o papa Bento 16 reconheceu as virtudes heróicas da Serva de Deus Dulce Lopes Pontes, autorizando oficialmente que lhe fosse concedido o título de Venerável.
 
Em outubro de 2010, a Congregação para a Causa dos Santos acatou por unanimidade o milagre atribuído à freira baiana, cumprindo, assim, a última etapa do processo de beatificação, que antecede a canonização.
 
No dia 10 de dezembro de 2010 foi promulgado o decreto do milagre da beatificação, iniciando, no dia seguinte, o processo de canonização da bem-aventurada. Para alcançar a santificação, porém, será necessár ia a comprovação de uma nova graça ocorrida a partir de 11 de dezembro por intercessão da beata.
 
O milagre
Tudo começou com uma pergunta feita pelo padre José Almí de Menezes, em 10 de janeiro de 2001, à funcionária pública Cláudia Cristiane Santos de Araújo, desenganada pelos médicos, durante uma forte e incontrolável hemorragia, após dar à luz o segundo filho.
 
“Você precisa de um milagre para sobreviver. Você acredita que irmã Dulce possa interceder diante de Deus?” Mesmo desconhecendo mais detalhes sobre irmã Dulce, Cláudia respondeu positivamente. “Eu também. Então, vamos rezar”, disse o religioso, ao depositar uma imagem da freira sobre o frasco do soro.
 
Como resultado desse curto diálogo, afirmam os peritos, o sangue estancou, surpreendendo a equipe médica, que já iniciara os procedimentos para atestar o óbito da paciente. O obstetra Antônio Cardoso Moura havia comunicado à família que não tinha mais nada a fazer. Poucos dias depois, Cláudia deixou o hospital andando.

Peritos médicos, religiosos e especialistas em processo canônico garantem que o ocorrido é inexplicável do ponto de vista da medicina.

Histórico
Irmã Dulce nasceu em 26 de maio de 1914, em Salvador, sendo registrada Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes. Foi a segunda filha do dentista Augusto Lopes Pontes e de Dulce Maria de Souza Brito Lopes Pontes.
 
Aos 13 anos, a irrequieta menina, que até então gostava de soltar pipa e jogar futebol, manifestou interesse pela vida religiosa e pelos pobres, a ponto de sua casa ficar conhecida como "a portaria de São Francisco". Seus pais, porém, resistiam em deixá-la trilhar o caminho da fé, o que somente ocorreu após Maria Rita completar 18 anos.

Em 1933, ela ingressou na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, no Convento de Nossa Senhora do Carmo (Sergipe). No mesmo ano recebeu o hábito e adota, em homenagem à mãe, o nome de Irmã Dulce.

Logo depois, voltou à Bahia e iniciou seu trabalho assistencial em comunidades carentes. Treze anos depois, cansada de perambular pelas ruas, com seus desassistidos, sofrendo humilhações, irmã Dulce ocupou, com autorização da sua superiora, o galinheiro do Convento Santo Antonio, levando para lá 70 doentes, local onde fundou o Hospital Santo Antonio, que atualmente responde por mais de cinco milhões de atendimentos por ano.

O local foi definido por ela como “a última porta e a única que não poderia se fechar” aos pobres. Com seu estilo incansável, a freira de 1,47m de altura, que respirava com apenas 20% da capacidade pulmonar, ampliou ano a ano o seu trabalho assistencial, contando apenas com doações.

Irmã Dulce morreu em 13 de março de 1992, aos 77 anos, no Convento Santo Antônio, ao lado dos seus doentes. Seus restos mortais estão sepultados na Igreja da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, futuro Santuário de Irmã Dulce, que está sendo construído junto às obras.

sábado, 21 de maio de 2011

BEM AVENTURADA IRMÃ DULCE DOS POBRES

            Neste domingo (22) acontece a cerimônia de beatificação de Irmã Dulce, em Salvador (BA). A celebração eucarística, marcada para às 17h, será presidida pelo arcebispo emérito de Salvador, cardeal dom Geraldo Majella Agnelo. O cardeal Majella irá representar o papa Bento 16 e o prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, dom Angelo Amato.
          Entre as atrações para o dia da beatificação, está a exibição de um espetáculo artístico sobre a vida de Irmã Dulce. A apresentação, que reunirá dança, música e teatro, será realizada por 700 alunos do Centro Educacional Santo Antônio (CESA), núcleo de educação da Obras Socias Irmãs Dulce (OSID).
         E a programação já terá início neste sábado, (21). Às 16h, no Santuário de Irmã Dulce, será celebrada uma Missa de preparação e, em seguida, acontecerá a vigília que vai até a manhã seguinte.
        Fiéis de todo o Brasil se mobilizam para participar da beatificação. Ao todo, são 20 mil pessoas organizadas em cerca de 250 grupos de estados de várias regiões do país e até de Portugal e Espanha, segundo dados do cerimonial das OSID. A maioria dos fiéis de fora da Bahia vem de Sergipe e Espírito Santo. A organização espera receber cerca de 70 mil para prestigiar a cerimônia.
:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
D. Orani Tempesta arcebispo do Rio
de Janeiro fala dabeatificação
   Neste domingo, 5º da Páscoa, a Igreja no Brasil terá a grande alegria de ver subir às honras dos altares, como Beata ou Bem-Aventurada, aquela que já em vida foi cognominada o “anjo bom da Bahia” – a Irmã Dulce –, amiga e companheira dos pobres e desvalidos. Seu itinerário de santidade, no qual a Igreja reconhece as suas virtudes heróicas, é um caminho marcado humana e naturalmente por incompreensões de tantos, mas que, sobrenaturalmente, foi capaz de tocar os corações endurecidos, para que na meiguice de quem pedia não se deixasse faltar o essencial aos mais pobres, ensinando a todos a partilhar, mesmo o pouco que tinham.A data coincide com a Memória de Santa Rita que, como cai no domingo, neste ano não é celebrada, mas nos mostra também outra mulher forte que em outra época e situação viveu a fé e é sinal até hoje da providência de Deus em sua vida.
          Em nossa mudança cultural, a mídia utilizou o termo “beata” de uma maneira imprópria e, em nosso linguajar comum, acabamos acolhendo esse tipo de interpretação que, inclusive, está em nossos dicionários. Cabe a nós restaurarmos o verdadeiro uso da palavra e valorizá-la. Muitos vocábulos importantes já foram deturpados em nossa língua. Que a Beata Irmã Dulce interceda por nós para que consigamos anunciar o Evangelho e levar as pessoas a fazer da nossa cultura uma cultura de valores humanos e cristãos que ajudem a transformar esta situação de violência, corrupção, medo, destruição e divisão que ora ocorre.
        A constituição pastoral Lumen gentium do Concílio Ecumênico Vaticano II recorda, em seu quinto capítulo, a vocação universal à santidade, ou seja, ser santo é o caminho que todo aquele que renasce pela água do batismo deve percorrer. O Beato João Paulo II, quando em sua visita ao Brasil, disse que o Brasil precisava de Santos. Eles existem, não é a Igreja que os “fabrica”, mas apenas constata com um processo minucioso a vida e as virtudes daqueles e daquelas que o povo já tem em conta de “santos”. E vai muito mais além, para a beatificação e canonização supõe também um milagre por intercessão e da invocação do nome de quem pedimos a Deus. Milagre esse comprovado por médicos e cientistas, demonstrando que não tem outra explicação que não seja uma intervenção especial. Quando professamos a nossa fé, pronunciamos que acreditamos na Igreja Santa, ou seja, a santidade é uma nota teológica na Igreja, mesmo sabendo que, embora santa, ela possui em seu seio membros pecadores que são continuamente chamados à conversão.
        Temos uma beata muito perto de nós, uma brasileira como nós, que escolhendo radicalmente a Cristo, percebeu, no quotidiano de sua missão, a singular presença que Ele manifestava naqueles que não tinham nome, nem muitas vezes propriamente um rosto para a sociedade. Acredito que em nossas comunidades existam muitas outras pessoas, homens e mulheres, jovens e adultos, crianças e idosos, leigos e consagrados, que viveram uma vida heróica e poderiam ser colocados como exemplos de vida para todos nós.
      O Beato João Paulo II nos recordou que “santo é aquele que faz de modo extraordinário, as coisas ordinárias”; nesse contexto, sem dúvida, pode ser inserida a vida daquela que dentro em breve, por sua santidade, não será simplesmente o anjo bom da Bahia, mas o anjo bom do Brasil.
     Ir. Dulce fez, de modo extraordinário, aquilo que cada cristão deve fazer ordinariamente, ou seja, no cotidiano, no dia a dia: exercer a caridade, fazer-se oferta pelo outro, ver no outro a presença do Cristo Ressuscitado, sobretudo daqueles que mais sofrem e que estão à margem, dando-lhes a certeza de que possuem sua dignidade e que Deus lhes manifestará com predileção o seu amor, pois vem em socorro dos que são pobres e oprimidos.
          Tirar o pobre da sua mais profunda miséria dos bens materiais, daquele mais básico, da fome, foi aquilo que fez o “anjo bom do Brasil”, sem que tivesse, entretanto, bens matérias, nunca deixou de acreditar na Providência Divina, que jamais lhe faltou, pois nela confiava, e quando a ela rogava tudo lhe chegava, mesmo o pouco, pois mesmo isso, diante de Deus é muito, nunca acumulando, mas partilhando e fazendo multiplicar para salvar a fome de tantos.
           A razão principal de sua ação foi justamente o seu encontro com Jesus, o Cristo Senhor Ressuscitado, que deu sentido a toda a sua vida e trabalho. O segredo de uma vida doada aos irmãos tem sempre como centro o Cristo. Aberta à ação do Espírito Santo, a nossa querida Ir. Dulce deixou-se conduzir pelos caminhos da fraternidade e, mesmo em dificuldades econômicas extremas, demonstrou a providência de Deus atuando e agindo. Neste tempo de tantos questionamentos sobre os valores cristãos, a sua vida é uma demonstração daquilo que um cristão, com a graça de Deus, consegue amenizar da pobreza e da dor humana. A Igreja, através de seus santos e santos, dá uma resposta ao mundo de como a vida de santidade e a busca de Deus, seguindo a Cristo e vivendo a Sua Palavra, não só transforma os corações, mas faz da pessoa um sinal de paz e de vida para os seus irmãos e irmãs. E tudo isso é dom, é graça do Senhor.
           Preocupar-se com os que estão à margem e comprometer-se com a necessidade de mudança, em um país como o nosso, com tantas dádivas de Deus, não poderíamos ter pessoas que passam fome se houvesse uma justiça mais distributiva, que nasce da capacidade de por em comum os bens que a todos pertencem. Se uma pobre como a Irmã Dulce pôde fazer tantas coisas para tantos, como não poderia ser diferente o nosso país se todos tivessem a mesma disponibilidade de pensar no seu irmão com responsabilidade, e assim multiplicar os dons que Deus nos concede.
         Cuidar do pobre e do faminto, como fazia a Irmã Dulce, não é um convivente para que nesse estado de miséria esses se mantenham, é conduzi-los à sua dignidade de Filhos de Deus, dando-lhes a certeza de que os bens desse mundo são transitórios, efêmeros, e que não é da vontade Dele que homens e mulheres morram de fome, não tenham onde morar.
       Sabemos que a ação social para as pessoas necessitadas precisa resolver com urgência a fome, e por isso parece como se fosse apenas assistencialista, mas sabemos que esse primeiro passo leva à formação e questiona a transformação social, econômica e política. A consciência dos cristãos leva-os a se comprometerem com o “mundo novo”, onde reine a presença de Deus que conduz à paz e à vida em plenitude. Os que questionam a assistência aos pobres também não aceitam quando reclamamos das injustiças e da necessária mudança social. Os Santos e Santas fazem tudo isso com uma vida de simplicidade e virtudes, sendo sinal de contradição para o seu tempo.
       A Igreja do Rio de Janeiro se une à Igreja Mãe de São Salvador da Bahia na ação de graças pela beatificação da mulher que cuidou dos mais pobres. Cumprimento Excelentíssimo Senhor Arcebispo, Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, SCJ, e o Legado Pontifício, Sua Eminência Geraldo Majela, Cardeal da Santa Igreja Romana, Agnelo, pela alegria eclesial que proporcionam ao povo da Bahia e do Brasil pela santidade da fidelidade e do serviço da religiosa elevada às glórias dos altares.
        Que interceda por nós o “anjo bom do Brasil”, a bem-aventurada Irmã Dulce, para que todos, desde os mais simples até os mais importantes, que em verdade deveriam estar à testa para servir, sejam capazes de aprender a partilhar, a fazer de modo extraordinário, o ordinário de repartir o pão com os necessitados.
Beata Irmã Dulce, interceda por nós!
† Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro